Pular para o conteúdo

Revista AB Pilates · informação para o corpo em movimento

respire, leia, mova-se

Pilates para Dores

Pilates para pubalgia: o que pode complementar e como adaptar a prática

Entenda o que o termo pubalgia pode significar e como o Pilates pode complementar a reabilitação com avaliação, controle e progressão segura.

Se você sente dor na virilha, no púbis ou na parte interna da coxa, Pilates pode fazer parte do cuidado — mas não deve ser usado para descobrir sozinho o que está causando o sintoma. A região reúne músculos, tendões, articulações e estruturas da parede abdominal; por isso, o caminho seguro começa com avaliação.

O termo pubalgia é usado de forma ampla e não identifica uma única lesão. A dor pode estar relacionada aos adutores, ao púbis, à região inguinal, ao iliopsoas ou ao quadril. O objetivo do Pilates, quando liberado, é complementar a reabilitação com controle, respiração, organização do movimento e progressão de carga — não substituir o diagnóstico ou a fisioterapia.

Aula de Pilates em estúdio ao lado de um modelo anatômico do corpo humano
A imagem mostra uma aula em estúdio com um modelo anatômico, reforçando que o movimento deve ser organizado com orientação. Foto: Ikorepilates/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O que a pubalgia pode significar

Em atletas, a dor costuma aparecer depois de acelerações, chutes, mudanças de direção, giros ou aumento rápido da carga. Também pode surgir de forma gradual. Dor ao aproximar a perna contra resistência, sensibilidade na origem dos adutores e desconforto ao correr são sinais que merecem avaliação, não um convite para testar exercícios por conta própria.

Ilustração dos músculos adutores e da região anterior do quadril
Os adutores ficam na parte interna da coxa e participam da estabilização da pelve. Ilustração: Mikael Häggström/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Uma revisão clínica publicada no Journal of Hip Preservation Surgery destaca que não há uma terminologia, um exame ou um tratamento universal para todas as dores na virilha. Essa é uma das razões para evitar a ideia de que toda dor nessa área seja “pubalgia” ou de que o mesmo exercício sirva para todos.

Como o Pilates pode complementar a reabilitação

Depois de uma avaliação, o instrutor pode ajustar a aula para trabalhar o que a pessoa consegue controlar naquele momento. A prioridade costuma ser reduzir a irritação, manter movimento confortável e recuperar, aos poucos, força e coordenação da pelve, do quadril e do tronco.

  • Começar com apoio: posições deitada ou sentada podem ser mais adequadas do que movimentos em pé com muita exigência de equilíbrio.
  • Reduzir amplitude e alavanca: abrir muito as pernas, fazer giros amplos ou usar resistência alta pode aumentar a demanda sobre a região dolorida.
  • Controlar a carga: molas, faixas e peso corporal devem ser ajustados à fase da recuperação. Mais resistência não significa melhor estímulo.
  • Evitar prender a respiração: o esforço deve ser acompanhado de respiração contínua e sem empurrar o corpo para além do controle.
  • Progredir por critérios: a evolução depende de sintomas, força, mobilidade e função. Um protocolo do Mass General Brigham recomenda progressão baseada em critérios clínicos, e não apenas em um calendário fixo.

Em uma fase inicial, a aula pode priorizar movimentos simples e sem piora relevante dos sintomas. Mais tarde, o profissional pode introduzir exercícios de força para adutores, glúteos e estabilizadores do tronco, sempre com progressão individual. Exercícios de reabilitação descritos por serviços de fisioterapia do NHS incluem contrações suaves dos adutores, ponte adaptada e elevação controlada da perna; isso não significa que esses movimentos sejam apropriados para toda pessoa com dor na virilha.

O que evitar durante a aula

Não é uma boa estratégia “alongar até doer” ou insistir em movimentos que reproduzem a dor familiar. Também merece cautela a combinação de grande amplitude, velocidade, mudança de direção e resistência alta, especialmente no começo ou após aumento de treino esportivo.

Se a dor aumenta durante a sessão, altera sua forma de andar ou continua mais forte depois da aula, interrompa a progressão e comunique o instrutor e o fisioterapeuta. A orientação do NHS para distensões reforça que a retomada deve acontecer quando o movimento não é impedido pela dor e que exercícios não devem piorar de forma importante os sintomas.

Quando procurar orientação médica antes de praticar

Procure avaliação médica ou fisioterapêutica antes de iniciar ou retomar Pilates se a dor for nova, intensa, estiver piorando, tiver começado após queda ou trauma, vier acompanhada de inchaço ou hematoma importante, ou limitar o apoio da perna. Febre, mal-estar, dormência, formigamento, fraqueza, dor noturna persistente ou dificuldade para caminhar também pedem investigação.

Não pratique por conta própria se você está no pós-operatório, teve suspeita de fratura, apresenta uma saliência dolorosa na virilha ou recebeu diagnóstico de lesão abdominal, inguinal, do quadril ou dos adutores. Nesses cenários, a autorização e a progressão precisam vir do profissional que acompanha o caso.

Pubalgia não é motivo para abandonar o movimento

A decisão mais segura não é escolher entre “ficar parado” e fazer uma aula completa. É identificar a origem da dor, ajustar a carga e manter apenas os movimentos que o corpo tolera naquele estágio. O Pilates pode contribuir com controle, precisão e consciência corporal, desde que esteja integrado a um plano individual de reabilitação.

Se a queixa se concentra no quadril, veja também o guia sobre Pilates para dor no quadril. Para quem pratica corrida, o artigo sobre Pilates para corredores ajuda a pensar na relação entre treino, controle e carga.

Fontes consultadas

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento individualizado.

Ro PIlates

Ro PIlates

Conteúdo editorial AB Pilates.