Se você sente dor na virilha, no púbis ou na parte interna da coxa, Pilates pode fazer parte do cuidado — mas não deve ser usado para descobrir sozinho o que está causando o sintoma. A região reúne músculos, tendões, articulações e estruturas da parede abdominal; por isso, o caminho seguro começa com avaliação.
O termo pubalgia é usado de forma ampla e não identifica uma única lesão. A dor pode estar relacionada aos adutores, ao púbis, à região inguinal, ao iliopsoas ou ao quadril. O objetivo do Pilates, quando liberado, é complementar a reabilitação com controle, respiração, organização do movimento e progressão de carga — não substituir o diagnóstico ou a fisioterapia.

O que a pubalgia pode significar
Em atletas, a dor costuma aparecer depois de acelerações, chutes, mudanças de direção, giros ou aumento rápido da carga. Também pode surgir de forma gradual. Dor ao aproximar a perna contra resistência, sensibilidade na origem dos adutores e desconforto ao correr são sinais que merecem avaliação, não um convite para testar exercícios por conta própria.

Uma revisão clínica publicada no Journal of Hip Preservation Surgery destaca que não há uma terminologia, um exame ou um tratamento universal para todas as dores na virilha. Essa é uma das razões para evitar a ideia de que toda dor nessa área seja “pubalgia” ou de que o mesmo exercício sirva para todos.
Como o Pilates pode complementar a reabilitação
Depois de uma avaliação, o instrutor pode ajustar a aula para trabalhar o que a pessoa consegue controlar naquele momento. A prioridade costuma ser reduzir a irritação, manter movimento confortável e recuperar, aos poucos, força e coordenação da pelve, do quadril e do tronco.
- Começar com apoio: posições deitada ou sentada podem ser mais adequadas do que movimentos em pé com muita exigência de equilíbrio.
- Reduzir amplitude e alavanca: abrir muito as pernas, fazer giros amplos ou usar resistência alta pode aumentar a demanda sobre a região dolorida.
- Controlar a carga: molas, faixas e peso corporal devem ser ajustados à fase da recuperação. Mais resistência não significa melhor estímulo.
- Evitar prender a respiração: o esforço deve ser acompanhado de respiração contínua e sem empurrar o corpo para além do controle.
- Progredir por critérios: a evolução depende de sintomas, força, mobilidade e função. Um protocolo do Mass General Brigham recomenda progressão baseada em critérios clínicos, e não apenas em um calendário fixo.
Em uma fase inicial, a aula pode priorizar movimentos simples e sem piora relevante dos sintomas. Mais tarde, o profissional pode introduzir exercícios de força para adutores, glúteos e estabilizadores do tronco, sempre com progressão individual. Exercícios de reabilitação descritos por serviços de fisioterapia do NHS incluem contrações suaves dos adutores, ponte adaptada e elevação controlada da perna; isso não significa que esses movimentos sejam apropriados para toda pessoa com dor na virilha.
O que evitar durante a aula
Não é uma boa estratégia “alongar até doer” ou insistir em movimentos que reproduzem a dor familiar. Também merece cautela a combinação de grande amplitude, velocidade, mudança de direção e resistência alta, especialmente no começo ou após aumento de treino esportivo.
Se a dor aumenta durante a sessão, altera sua forma de andar ou continua mais forte depois da aula, interrompa a progressão e comunique o instrutor e o fisioterapeuta. A orientação do NHS para distensões reforça que a retomada deve acontecer quando o movimento não é impedido pela dor e que exercícios não devem piorar de forma importante os sintomas.
Quando procurar orientação médica antes de praticar
Procure avaliação médica ou fisioterapêutica antes de iniciar ou retomar Pilates se a dor for nova, intensa, estiver piorando, tiver começado após queda ou trauma, vier acompanhada de inchaço ou hematoma importante, ou limitar o apoio da perna. Febre, mal-estar, dormência, formigamento, fraqueza, dor noturna persistente ou dificuldade para caminhar também pedem investigação.
Não pratique por conta própria se você está no pós-operatório, teve suspeita de fratura, apresenta uma saliência dolorosa na virilha ou recebeu diagnóstico de lesão abdominal, inguinal, do quadril ou dos adutores. Nesses cenários, a autorização e a progressão precisam vir do profissional que acompanha o caso.
Pubalgia não é motivo para abandonar o movimento
A decisão mais segura não é escolher entre “ficar parado” e fazer uma aula completa. É identificar a origem da dor, ajustar a carga e manter apenas os movimentos que o corpo tolera naquele estágio. O Pilates pode contribuir com controle, precisão e consciência corporal, desde que esteja integrado a um plano individual de reabilitação.
Se a queixa se concentra no quadril, veja também o guia sobre Pilates para dor no quadril. Para quem pratica corrida, o artigo sobre Pilates para corredores ajuda a pensar na relação entre treino, controle e carga.
Fontes consultadas
- Mass General Brigham — Rehabilitation Protocol for Athletic Pubalgia. Protocolo não operatório baseado em critérios clínicos; acesso em outubro de 2026.
- Journal of Hip Preservation Surgery — A proposed algorithm for the treatment of core muscle injuries. Revisão sobre terminologia, avaliação e tratamento; publicada em 2021.
- BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation — The effectiveness of non-surgical interventions in athletes with groin pain. Revisão sistemática e meta-análise; publicada em 2023, com certeza de evidência muito baixa para algumas comparações.
- Berkshire Healthcare NHS Foundation Trust — Physiotherapy advice for groin strain. Orientações gerais de fisioterapia e sinais para buscar ajuda; acesso em outubro de 2026.
- NHS — Sprains and strains. Sinais de alerta e orientações gerais para distensões; acesso em outubro de 2026.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento individualizado.


